Um pouco do Grupo de Transmissão e Estudos em Psicanálise (GTEP)
Quer conhecer um pouco mais sobre a história do GTEP (Grupo de Transmissão e Estudos em Psicanálise)? Confira o texto abaixo:
UM POUCO DO GRUPO DE TRANSMISSÃO E ESTUDOS EM PSICANÁLISE (GTEP)
O GTEP é um trabalho construído a muitas mãos, porém, buscamos preservar, nos manejos de cada encontro com o grupo, a autonomia daqueles que estão no campo, afinal, “é seu corpitcho que está na reta”, como dizia Leonor Rufino sobre o lugar do coordenador de seminários do GTEP.
Trabalho por vezes solitário, pois estamos sozinhos em lugares distantes de São Paulo, com a delicada tarefa de transmitir a psicanálise em sua complexidade teórico-clínica, para grupos oriundos de culturas e formações bastante diversas.
Participar do GTEP é gostar de puxar mala de rodinhas pelos aeroportos e encontrar prazer em mergulhar - num bloco concentrado de horas - em uma relação intensa e extensa com aqueles que nos procuram. E, ainda que o trabalho não se resuma apenas à coordenação dos seminários, ter a disposição para viver essa experiência é condição para estar aqui.
O GTEP é um dos grupos de trabalho mais antigos do Departamento; existe desde 1989, ainda que só tenha ganhado esse nome em 2004. Grupo potente, horizontal, democrático e barulhento; cheio de pessoas que gostam de falar e falar, problematizar, debater, chegar a consensos para, logo depois, voltar a debater novamente.
Grupo que representa - e fala em nome - do Departamento, Brasil afora. Grupo que leva a transmissão da psicanálise para lugares aonde ela não chegava, especialmente antes da pandemia e do boom das opções em linha. Desde então não fomos abordados por novas localidades, o que nos alerta e nos coloca a pensar em estratégias para estes novos tempos; entretanto, as localidades com as quais temos parceria, seguem vitalizadas e em forte transferência conosco, com o Departamento e com o Sedes.
O GTEP nasce como um projeto chamado Setor Grupo de Estudos, com a intenção de propiciar um espaço de intercâmbio entre os pares. No início ele demorou para crescer;
Cleide Monteiro e Tera Leopoldi são algumas das pioneiras, que sustentaram o espaço quando ainda as outras cadeiras permaneciam vazias. O trabalho se amplia quando recebem um pedido para uma primeira transmissão da psicanálise vindo do Círculo de Estudos Psicanalíticos e Psicoterapêuticos (CIEPSI) de Uberaba - MG, e aí, o GTEP encontra sua identidade. Em mais de 30 anos estivemos em muitos lugares: Barretos, Barueri, Franca, Jundiai, Limeira, Fortaleza, Londrina, Ribeirão Preto, Taubaté.
Muitos membros do Departamento já fizeram parte do GTEP, muita história já foi vivida e construída. Perdemos algumas pessoas importantes para nós, como Elaine Armênio e Leonor Rufino; perdemos também, recentemente, Eli Antônio Cury, fundador e administrador do Instituto e Clínica Dimensão, de Goiânia, com quem temos parceria há mais de duas décadas. Tem sido comum, aliás, que as parcerias sejam perenes. Em São José do Rio Preto também estamos há quase duas décadas, com grupos autogeridos; em Lorena vivemos uma parceria longa com o Centro de Estudos em Psicanálise de Lorena, que se interrompeu no começo da pandemia, mas retornou esse ano; em Maringá, estamos desde 2013, quando 03 psicanalistas de lá nos buscaram para iniciarem um espaço de formação local e hoje eles são uma associação psicanalítica chamada Roda de Psicanálise - Teoria, Clínica e Cultura.
Ao longo do tempo, o leque do que oferecemos foi se estruturando e carregando nomes, tais como Percurso de Formação Básica, Percurso de Formação Continuada, Percurso Introdutório e Introdutório-Clínico; além disso, eventualmente, também trabalhamos com Grupos de Estudos. Cada um desses nomes comporta um universo complexo, cuidadosamente pensado a partir da realidade de cada localidade e de cada grupo, percursos com propostas de tempos e aprofundamentos diferentes, que têm em comum o trabalho com a metapsicologia. Detalhamento importante de ser conhecido, mas que ficará para próximos textos.
Para fazer parte do GTEP, antes de tudo, é preciso ser membro do Departamento e responder à Carta Convocatória que é enviada pelo Departamento quando abrimos vagas pois, desde o início, valorizamos que os interessados manifestem o desejo de participar em uma carta de intenção, seguida por entrevistas de seleção, nas quais se procura conhecer as experiências com a psicanálise, com o Departamento, com supervisão e o trabalho de transmissão em grupos.
Esse mesmo cuidado é vivido na construção das relações com as localidades que nos procuram e com a montagem dos grupos nessas localidades. Ao sermos abordados, marcamos entrevistas com os interessados para compreender quais relações aquelas pessoas possuem com a psicanálise e com o campo no qual estão inseridas. Aproveitamos também para contar um pouco sobre a história do Departamento, do Sedes e do GTEP, a fim de situá-los, desde o início, sobre o que esperar da parceria conosco, especialmente sobre como compreendemos a formação do analista: processo permanente e contínuo, realizado por meio de projetos específicos, organizados para cada localidade solicitante e, fundamentalmente, que tem como eixo principal da transmissão a discussão clínica e o estudo da metapsicologia freudiana.
Depois de muitas conversas e trocas, a parceria avança quando encontramos posições éticas comuns sobre a psicanálise e o campo, e quando essas pessoas se dispõem ao trabalho de organizar a logística de nossas idas e a catalisar as transferências locais para agrupar pessoas que queiram fazer trechos de seus percursos de formação conosco. Essa parceria pode se dar com instituições locais já existentes ou com grupos autogeridos, e como o GTEP trabalha com o objetivo de que essas localidades se fortaleçam, não é incomum que, passado algum tempo, esses grupos autogeridos se constituam como instituições locais - ou não, se assim não for do desejo deles.
É destas pessoas também a tarefa de divulgar a proposta do GTEP e acolher as demandas (carta de intenção e currículo dos interessados), para que façamos as entrevistas, seleção e montagem dos grupos que virão a participar de algum percurso conosco.
Um diferencial nosso que muito valorizamos é o trabalho em Retaguardas. Cada localidade é acompanhada por um subgrupo (que chamamos de Retaguarda), que oferece suporte para quem está em campo, coordenando os seminários. Em reuniões quinzenais, o trabalho na localidade é apresentado e discutido, pensado sob a perspectiva das relações grupais, das dificuldades pessoais e interpessoais, além da discussão sobre os caminhos teórico-clínicos dos seminários. A Retaguarda também se encarrega de dividir com o coordenador a leitura dos trabalhos de conclusão de módulo, escritos individualmente pelos participantes. Dessa forma, o acompanhamento de cada um - e de cada grupo - vai se construindo ao longo do percurso, permitindo um fio que perpassa de mão em mão, a cada troca de coordenador, módulo a módulo.
Além disso, há o coordenador Institucional, ou seja: um membro do GTEP que se encarrega da relação direta com os organizadores locais, liberando os coordenadores de módulo para a tarefa da transmissão. Há, entre todos os participantes do GTEP, uma circulação por esses variados lugares. Cada membro se compromete a participar de - no mínimo - duas retaguardas, o que significa se disponibilizar para reuniões semanais, além das reuniões gerais, que também são quinzenais.
O GTEP é, ainda, um grupo para quem gosta de se aventurar. Já tivemos aviões arremetendo, pneus estourando no pouso, voos cancelados, voos atrasados, hotéis um tanto quanto suspeitos, correria em aeroportos, e etc. Tem aqueles que aproveitam para explorar as regiões e os que preferem ficar no hotel (“turma do Toddynho”, como dizia Leonor!). Tem muita risada e ótimas histórias para contar, além de alguns perrengues, é claro. Mas o que tem, sempre, em todos nós, é a alegria e o prazer em transmitir a psicanálise e a levá-la para lugares distantes.
Nossa equipe:
Elcio Gonçalves
Fátima Milnitzky
Gisele Senne de Moraes
João Rodrigo Oliveira e Silva
Liliane Mendonça
Lucia Helena Navarro
Marcia Ramos
Mira Wajntal
Maria Inês Tassinari
Nanci de Oliveira Lima
Nelci Andregheto
Rosangela Rodrigues Gouveia
Silvia Ribes
Tiago Corbisier Matheus
Que saudades do GTEP, muito prazer em ter feito parte dessa história e
ResponderExcluirgratidão por ter aprendido tanto !
Eu também fiz parte do GTEP com muito gosto, trabalhando com uma equipe muito muito boa durante os anos iniciais do projeto. Trabalho era excelente, o espírito era aventureiro (rs) e fiz grandes amigos. Goiania... Barretos... Londrina... muito muito bom. Saudades!
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