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Porque hoje é sábado. E haverá eleições no meu país.

Porque hoje é segunda-feira. Um dia depois do domingo. Domingo que teve festa, não só porque era domingo, mas porque houve eleições no meu país e muitos celebraram os resultados.   PORQUE HOJE É SÁBADO. E HAVERÁ ELEIÇÕES NO MEU PAÍS   ...Porque hoje é sábado Há uma profunda discordância. ...Porque hoje é sábado Há uma tensão inusitada Vinicius de M ora es   M. Laurinda R. Sousa outubro/2026 Porque hoje é segunda-feira. Um dia depois do domingo. Domingo que teve festa, não só porque era domingo, mas porque houve eleições no meu país e muitos celebraram os resultados. Outros, não fizeram festa. Recolheram-se. Outros, mais tristemente ainda, de uma tristeza sempre impossível de medir, choraram. Choraram não pelo resultado das eleições, choraram pelas mortes causadas pela violência estrutural deste país. Marcelo tinha apenas 30 anos. Era engenheiro e fazia parte de uma banda. Será que tocava todos os sábados? Ou, será que foi só naquele sábado? O que anteced...

Os 21 dias que movimentaram este país. Para que não sejam esquecidos

Na companhia dos que com cidadania ocuparam as ruas, entenderam a urgência e a importância do momento, M. Laurinda faz um retrato destes 21 dias que mobilizaram o país.    OS 21 DIAS QUE MOVIMENTARAM ESTE PAÍS. PARA QUE NÃO SEJAM ESQUECIDOS   1.      Violência só gera mais violência Durante esta campanha, nas últimas semanas, assistimos a denúncias terríveis dos atos sistematicamente cometidos por parte de um dos candidatos; aquele que se apresenta como herdeiro do desgoverno de 2018-2022. O primeiro debate transmitido pela Bandeirantes, deixou mais da metade do país perplexo e nauseado com o grau de cinismo e violência a que foi submetido, junto com o atual presidente deste país. Isso tudo sem que os organizadores do programa fizessem qualquer intervenção, o que só aconteceu depois de uma manifestação espontânea da plateia. Calar-se diante da violência, é como sabemos, ser conivente com ela. Esta configuração tem antecedentes que marcam a o...

Sobre o desejo

Há desejo e há medo! Mas é preciso apostar, ter esperança. M Laurinda faz sua escrevivência.   SOBRE O DESEJO Sábado, 3 de outubro.   Saí cedo de casa.   Pela janela do metrô, observei o movimento. Em cada estação, um entra e sai de gente alvoroçada. Muitos carregavam bandeiras coloridas; convite aos votos na eleição que se aproxima. Jovens, velhos, crianças, prepararam-se para o encontro na avenida. Da paleta de cores, tiveram o cuidado de escolher o que, para eles, traduzia a solidariedade de um coletivo. A esperança de que o terror vivido nos tempos da ditadura, o descaso com o sofrimento da pandemia, o desprezo pelos diferentes, as ameaças aos direitos fundamentais, não seriam esquecidos. Uma família chamou-me a atenção. Três gerações: avô, avó, pai, mãe, crianças. Os mais velhos com camisetas vermelhas. As crianças, vestidas com a mesma cor. Os pais com lenços quadriculados de branco e preto, jogados sobre os ombros. Pensei em Gaza. Gaza que torceu por n...