Postagens

AMARELINHA

Oggy Nzazi Barbosa Zizo , aluno do primeiro ano do curso de Psicanálise e integrante do Grupo Generidades nos premia com sua poesia. Confira. AMARELINHA (entre a terra e o céu quem entra?) Quem são as pessoas que entram nesse céu? Esse céu que, nos desenhos, aprendemos a pintar de branco. A amarelinha manchada de sangue. O azul que talvez nunca tenha sido a cor mais bonita da colonialidade. A pedra que lançamos para avançar uma casa também escolhe quem pode seguir. Deixem uma corpa trans preta entrar.   Outrora, também tacaram pedras em Geni. E seguem tentando apedrejar aquilo que desorganiza a norma.   Benditas sejam lembradas as mulheres negras que transformaram o céu branco em inferno para o pacto colonial do silêncio.   Talvez seja só uma amarelinha. Talvez apenas uma brincadeira. Mas há brincadeiras que revelam a arquitetura do mundo. Há jogos infantis que antecipam as leis do pertencimento, da exc...

Notícias sobre um Clube de Leitura: Grupo de jovens analistas se reúnem para ler “A Insubmissa” de Cristina Peri Rossi

Bruno Spadoni nos apresenta o recém-inaugurado Clube de Leitura Traço___ psicanálise e literatura, tecendo comentários e reflexões sobre o livro  Insubmissa  da autora uruguaia Cristina Peri Rossi. NOTÍCIAS SOBRE UM CLUBE DE LEITURA: GRUPO DE JOVENS ANALISTAS SE REÚNEM PARA LER “A INSUBMISSA” DE CRISTINA PERI ROSSI Bruno Spadoni Quando um grupo de psicoterapeutas se reúnem, a fim de pensar a clínica e a teoria psicanalítica nos tempos atuais e decide ler literatura contemporânea juntos, a escolha de um primeiro romance não poderia ser melhor. Talvez porque esse romance uruguaio seja também uma autoficção, gênero literário que é um prato cheio para quem tem o deleite de escutar a singularidade do mundo que habita a cada um. Logo, ler um pouco do universo particular de Cristina Peri Rossi [1] foi um começo animador para o Clube de Leitura Traço___ psicanálise e literatura.   A ideia desse Clube de Leitura surgiu em um café, com minha amiga Júlia Louzada, psi...

Todo mundo é filho de mãe e pai

Assistir ao filme "O Filho de Mil Homens" é navegar pela poesia. É quase inevitável. Marcelo Labaki, no entanto, reconstrói suas cenas em um passo a passo delicado, sublinhando a importância de cada um de seus personagens na vida uns de outros. Confira! TODO MUNDO É FILHO DE MÃE E PAI Marcelo Lábaki Agostinho O filme “O Filho de Mil Homens”, de grande beleza estética, impressiona em seu transcorrer: nas montanhas rochosas; no calçamento das ruas vazias; no azul onipresente do céu, do mar, na casa de Crisóstomo e na cortina de vidros; na casa de Antonino, nas borboletas e na Pietá. A beleza ressurge nas caixas multicoloridas dos bolos confeitados por Francisca, na sua cama enorme e nas paredes de papel florido, diferente dos afrescos, pinturas rupestres, da casa de Isaura. As personagens ocupam espaço dentro de um sonho maior. Cada uma em seu capítulo, a espera que eles dialoguem entre si e terminem por se entrelaçar. Mas algum...