Sobre o desejo
Há desejo e há medo! Mas é preciso apostar, ter esperança. M Laurinda faz sua escrevivência. SOBRE O DESEJO Sábado, 3 de outubro. Saí cedo de casa. Pela janela do metrô, observei o movimento. Em cada estação, um entra e sai de gente alvoroçada. Muitos carregavam bandeiras coloridas; convite aos votos na eleição que se aproxima. Jovens, velhos, crianças, prepararam-se para o encontro na avenida. Da paleta de cores, tiveram o cuidado de escolher o que, para eles, traduzia a solidariedade de um coletivo. A esperança de que o terror vivido nos tempos da ditadura, o descaso com o sofrimento da pandemia, o desprezo pelos diferentes, as ameaças aos direitos fundamentais, não seriam esquecidos. Uma família chamou-me a atenção. Três gerações: avô, avó, pai, mãe, crianças. Os mais velhos com camisetas vermelhas. As crianças, vestidas com a mesma cor. Os pais com lenços quadriculados de branco e preto, jogados sobre os ombros. Pensei em Gaza. Gaza que torceu por n...