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Prosa cênica: texto para ser falado, de pé, sobre um tapete antigo de família. Meia luz.

Lucia Helena Rodrigues Navarro compõe um lindo texto-poesia em meio ao luto. PROSA CÊNICA: TEXTO PARA SER FALADO, DE PÉ, SOBRE UM TAPETE ANTIGO DE FAMÍLIA. MEIA LUZ. Cena 2: Ar As roupas continuavam a cair e caíam sem parar. De longe, só era possível discernir cores em movimento acelerado. Num instante, um azul claro, muito suave, desprende-se.   Organza de seda transparente, com trama incomum, plissada, corte curto.   O tecido toma corpo, baby-doll azul, sobe e rodopia no ar. Lembro: cada uma vestida, salto alto, pés pequenos, desfilávamos radiantes na frente do grande espelho do closet, de baby-doll azul claro. Giramos, giramos até cair de alegria incontida. Retomamos, agora com certa distância, o olhar para a montanha de roupas. Em um outro lampejo, como um balão iluminado que se enche de ar, toma volume e sobe.   Bege clara, de estampa bem delicada de florzinhas apagadas, organza de seda, tecido ao mesmo tempo fosco e meio transparente, renda amarelad...

Carta de um cacique aos meninos do Brasil

Em "Carta de um cacique aos meninos do Brasil", em clima de Copa, Maria Laurinda destaca da "paixão" das crianças e seus álbuns na torcida pelo time favorito, à mercantilização do esporte e a tragédia das guerras, com o extermínio em Gaza.   Quem sabe uma resposta à carta de Pero Vaz de Caminha, como sinal de resistência histórica à colonização. CARTA DE UM CACIQUE AOS MENINOS DO BRASIL No jogo entre Argentina e Egito, além das cenas de racismo que marcaram a disputa, uma outra, mais trágica, atingiu a torcida pela Copa, em Gaza. Mohamed Al-Wahidi, diretor do Comitê Egípcio em Gaza, organizador das transmissões de jogos, foi atingido por um ataque de míssil israelense, momentos antes da partida, como noticiou Jamil Chade em sua coluna do ICL, no dia 9 de julho. Nesse ataque, seus dois irmãos de 8 e 10 anos, também morreram. A notícia dessas mortes, e, especialmente, a desses dois meninos, me fez retomar um texto escrito, logo após a derrota do Brasil no jogo ...

Sobre o evento “Existe uma psicanálise brasileira”?

Eva Wongtschowski escreve sobre o evento “Existe uma psicanálise brasileira”? realizado no último 15 de maio no Instituto Sedes Sapientiae, para marcar o início das atividades do recém constituído grupo de trabalho do Departamento de Psicanálise. Confira.   SOBRE O EVENTO “EXISTE UMA PSICANÁLISE BRASILEIRA”? O Grupo de Trabalho recém-formado no Departamento, que leva o mesmo nome do evento, convidou três psicanalistas para falar sobre o tema: Miriam Chnaiderman, Mara Caffé e Rafael Alves Lima. Cristina Petry abriu a reunião, como articuladora de eventos, evocando Juliano Moreira, Durval Marcondes e Virginia Bicudo.   Os comentários em torno da pergunta sugerida foram especialmente ricos e esclarecedores. Cada um dos convidados percorreu caminhos que fizeram da pergunta uma conversa que valeu a pena.   Marcelo Vial (coordenador do grupo junto com Anne Egídio e Marcelo Lábaki), recordou seu caminho pelo Departamento que o levou a se interessar pelo tema e sug...