Postagens

Pelo dia Internacional da Visibilidade Trans, 31 de março

Oggy e Luisa , ambos pessoas trans que colorem o Departamento de Psicanálise, nos lembram que suas existências têm nome, sobrenome, desejo, paixões.    PELO DIA INTERNACIONAL DA VISIBILIDADE TRANS, 31 DE MARÇO, uma declaração ao mundo, à psicanálise, ao Sedes:   Nós existimos. Existimos nas múltiplas formas do ser, nas frestas, nas margens, nos centros que reinventamos.   Nós nos reencontramos, e, onde antes nos disseram “não”, inscrevemos o nosso “sim” como ato, como rasgo, como nascimento.   Nossa existência excede as bordas da metafísica clássica, transborda os enquadres da Psicanálise, e, ainda assim, a convoca a rever seus conceitos, a escutar seus silêncios, a se haver com aquilo que retorna: o recalcado que somos.   Somos aquilo que irrompe nos lugares onde o desejo foi interditado. Somos travessias, de ousadia, de reinvenção, de vida que insiste.   Luísa: flor de espinhos, travesti, atriz, psi...

Carta de Antígona a Ismênia

Em 2025 mais de 4 mulheres foram assassinadas por dia no Brasil, a maior parte, mulheres negras. Em 2024, segundo a ONU, cerca de 50.000 mulheres e meninas foram mortas por parceiros ou familiares. Uma a cada 10 minutos. O lindo texto de Laurinda nos comove, nos convida a não esquecermos.   CARTA DE ANTÍGONA A ISMÊNIA M. Laurinda R. Sousa - Março/2026 Estamos no mês de março. Mês em que se reconheceu o Dia Internacional da Mulher. Mês em que escutamos vários protestos e denúncias sobre o feminicídio, o abuso e estupro de crianças e adolescentes. Os índices dessa violência são crescentes e alarmantes. No Brasil, dados indicam que 2025 foi o ano mais violento desde a tipificação do crime, em 2015, com um registro de mais de 4 assassinatos por dia, sendo que a maior parte foi de mulheres negras. Segundo dados da ONU, em 2024, cerca de 50.000 mulheres e meninas foram mortas por parceiros ou familiares; uma a cada 10 minutos. Desde tempos antigos...

Os segredos da neve

Ao revisar seu livro “Violência” junto às leituras de Han Kang (Atos Humanos (2014) e Sem Despedidas (2021), Maria Laurinda faz um link entre o tema da memória e do luto de tragédias históricas e de como o passado violento não é algo superado, mas uma ferida aberta. Confiram!     OS SEGREDOS DA NEVE A memória quando está realmente viva, não contempla a história; convida a fazê-la.(Eduardo Galeano) É só nevar que aquele pensamento fica aqui. Mesmo não querendo pensar, ele continua voltando. A neve que cai hoje, em Jeju, na Coreia do Sul, e continuará caindo intermitentemente (de fato ou no pensamento) não será a mesma que caiu há mais de 70 anos?   Nos dias, meses e anos terríveis que se seguiram ao final da II Guerra Mundial? Quando os EUA invadiram a antiga colônia japonesa para se apoderar do que não lhes pertencia?   Interferiram nos movimentos legítimos de autonomia, provocaram o extermínio de grande parte da população (mais de 30.000), atr...