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Ser mulher

Maria Laurinda nos presenteia com sua poesia em "Ser Mulher". Confiram   Lendo Adélia Prado: O meu registro fundamental é o cotidiano, religioso... A poesia é reveladora do real. Sou uma mulher desdobrável. O futuro precisa de uma nova gramática Ela virá da arte e da poesia. Rita Segato   SER MULHER Ter dobras insondáveis No dentro de mim E com gestos libertinos Com querências agnósticas Desdobrar-me   Abrir minhas formas cindidas Sair das sombras da noite Expor os segredos do corpo Seus ocos, cheiros, rugidos Seus filamentos trêmulos Seus clamores e desejos - a sofreguidão de seus apelos   Não aceitar injunções Pedidos em demasia Entregar-me ao despudor Com alegre ousadia   Dobrar-me? Só às miudezas do dia Aos que no frio, pedem guarida no exílio, refúgio na solidão, aconchego no desamparo, compaixão nos corpos violados, proteção Aos que vivem em guerra, a paz   Ver na p...

Amar o futebol – o Brasil – e o repúdio à ditadura: uma breve leitura psicanalítica da Copa de 1970

Ao assistir ao seriado “Brasil 70: a saga do tri” Maria Silvia Borghese revisita a “sua” Copa de 70 que acontece em plena ditadura militar, ainda que dela nada soubesse. Pode assim enxertar nessa que foi uma das maiores conquistas esportivas do país, não só o seu uso político em um dos períodos mais nefastos do país, mas também a alegria de todos os brasileiros. Confira. AMAR O FUTEBOL – O BRASIL – E O REPÚDIO À DITADURA: UMA BREVE LEITURA PSICANALÍTICA DA COPA DE 1970 Em 1970, eu era uma menina chegando à adolescência. Vivendo em um bairro de classe média, cresci acostumada a festas e almoços nos quintais das casas da minha numerosa família, mistura de italianos e portugueses, amantes da boa mesa e de infindáveis conversas a seu redor. Embora futebol fosse um tema certamente confinado em corações e mentes masculinos, daquela vez as fronteiras tinham sido quebradas. A família inteira estava envolvida e tomada pela chegada da Copa do mundo de futebol que aconteceria no México no me...