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A partir de Oswald de Andrade. Memórias sentimentais de João Miramar

Fim da escala 6x1. Outro mundo é possível. M. Laurinda resgata a Terra Brasilis de Oswald de Andrade, guia irreverente para uma outra gramática do viver.   A PARTIR DE OSWALD DE ANDRADE MEMÓRIAS SENTIMENTAIS DE JOÃO MIRAMAR     Oswald foi escritor, poeta, ensaísta, jornalista. Crítico. Irreverente. Denunciou, várias vezes, o colonialismo de nossa literatura e a cópia das artes europeias. Desempenhou papel fundamental na busca de uma linguagem e identidade brasileiras que não deixasse de estar aberta ao movimento das vanguardas mundiais. Em seu Manifesto Antropofágico, inspirado explicitamente em Marx, Freud, Breton, Montaigne e Rousseau, propôs uma língua nacional diferente do português, dando lugar ao “erro criativo”; um erro que se soma ao canibalismo onde o colonizado come o colonizador tornando-se melhor, mais forte e criativamente brasileiro. Em tempos de retomada das análises dos efeitos do colonialismo, do racismo, da valorização da cultura dos p...

Cenas da cidade

Maria Laurinda nos convida a acompanhar as ressonâncias de sua leitura de Short Movies, livro de Gonçalo M. Tavares. Confira.   CENAS DA CIDADE A câmera caminha por cenas que vão da intimidade das casas às ruas das cidades. Umas se entrecruzando com as outras; mescla de subjetividades e coletivos. Convite à detenção do olhar; interpretações possíveis do vivido. O que se vive, ultrapassa o olhar. Os registros que se seguem são ressonâncias do livro de Gonçalo M. Tavares: Short Movies. I.   A calça                                                                                                 No varal, estendida ao vento, uma calça com uma perna só. Sentado nos degraus da casa, um homem triste. II. A boneca Apoi...

A Odisseia, de Nolan

Sérgio Telles constrói uma ótima resenha sobre a Odisseia de Christopher Nolan, em mais uma versão desta inspiradora obra de Homero. A ODISSEIA, DE NOLAN A Odisseia é um dos pilares de nossa cultura ocidental, um modelo instituinte da narrativa do mito do herói, da guerra, da aventura no desconhecido, do retorno ao lar. Como tal, muito já foi escrito, comentado, estudado, criticado e copiado. A fortuna crítica sobre a obra de Homero é colossal. O que nos resta a fazer ao ver o filme de Nolan é comentar suas características e observar as modificações que Nolan fez no original de Homero, o que não surpreende nem merece censura. Desde a antiguidade até o presente, inúmeros autores a usaram como inspiração, modificando-a dentro de seus próprios objetivos. A versão mais prestigiosa em literatura recente é o “Ulisses” de Joyce, que transforma o épico de Homero num dia comum de um mero representante comercial perambulando pelas ruas de Dublin. O périplo de Ulisses, a guerra de Troia,...