Prosa cênica: texto para ser falado, de pé, sobre um tapete antigo de família. Meia luz.
Lucia Helena Rodrigues Navarro compõe um lindo texto-poesia em meio ao luto. PROSA CÊNICA: TEXTO PARA SER FALADO, DE PÉ, SOBRE UM TAPETE ANTIGO DE FAMÍLIA. MEIA LUZ. Cena 2: Ar As roupas continuavam a cair e caíam sem parar. De longe, só era possível discernir cores em movimento acelerado. Num instante, um azul claro, muito suave, desprende-se. Organza de seda transparente, com trama incomum, plissada, corte curto. O tecido toma corpo, baby-doll azul, sobe e rodopia no ar. Lembro: cada uma vestida, salto alto, pés pequenos, desfilávamos radiantes na frente do grande espelho do closet, de baby-doll azul claro. Giramos, giramos até cair de alegria incontida. Retomamos, agora com certa distância, o olhar para a montanha de roupas. Em um outro lampejo, como um balão iluminado que se enche de ar, toma volume e sobe. Bege clara, de estampa bem delicada de florzinhas apagadas, organza de seda, tecido ao mesmo tempo fosco e meio transparente, renda amarelad...