Ser mulher
Maria Laurinda nos presenteia com sua poesia em "Ser Mulher". Confiram
Lendo Adélia Prado:
O meu registro fundamental é o cotidiano, religioso...
A poesia é reveladora do real. Sou uma mulher desdobrável.
O futuro precisa de uma nova gramática
Ela virá da arte e da poesia.
Rita Segato
SER MULHER
Ter dobras insondáveis
No dentro de mim
E com gestos libertinos
Com querências agnósticas
Desdobrar-me
Abrir minhas formas cindidas
Sair das sombras da noite
Expor os segredos do corpo
Seus ocos, cheiros, rugidos
Seus filamentos trêmulos
Seus clamores e desejos
- a sofreguidão de seus apelos
Não aceitar injunções
Pedidos em demasia
Entregar-me ao despudor
Com alegre ousadia
Dobrar-me?
Só às miudezas do dia
Aos que
no frio, pedem guarida
no exílio, refúgio
na solidão, aconchego
no desamparo, compaixão
nos corpos violados, proteção
Aos que vivem em guerra, a paz
Ver na paixão de Cristo, o êxtase
que a todos chegue
no seu Santo Reino
E a mim, mulher desdobrável,
Impudica, obscena, devassa,
O prazer infinito de seu corpo
Nas mil dobras do meu
Amém!
Maria Laurinda R. de Sousa é autora de artigos e ensaios sobre psicanálise e literatura, dos livros Violência e Vertentes da Psicanálise e de livros infantis. É colunista do Blog do Departamento.
Linda poesia!
ResponderExcluirParabéns 👏