O Curso de Psicopatologia Psicanalítica e Clínica Contemporânea levou uma mesa ao Congresso de Psicopatologia Fundamental!

Mira Wajntal faz um relato sobre a participação do Curso de Psicopatologia Psicanalítica e Clínica Contemporânea em uma mesa do Congresso de Psicopatologia Fundamental realizado em setembro deste ano em Vitória - Espírito Santo. Confiram!

 

O CURSO DE PSICOPATOLOGIA PSICANALÍTICA E CLÍNICA CONTEMPORÂNEA LEVOU UMA MESA AO CONGRESSO DE PSICOPATOLOGIA FUNDAMENTAL!

Mira Wajntal 

Neste setembro de 2026, o Curso de Psicopatologia Psicanalítica e Clínica Contemporânea decidiu organizar uma mesa para o XII Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental e o XVIII Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental, realizados em Vitória, ES. Entendemos que a pesquisa em Psicopatologia é um dos eixos fundadores do nosso curso. Por que não dialogar, então, com uma rede que sempre contou com vários membros do nosso Departamento?

O tema do evento, “Pathos, resistência e alienação”, também dialogava com muitas das questões que vínhamos discutindo nas reuniões de professores do curso. Assim, nossa colega Maria Carolina Accioly provocou o grupo a se organizar em torno de uma mesa cujo tema seria “Efeitos da recusa e da pulsão de morte na capacidade de pensar: a psicanálise como espaço de resistência”. O grupo já vinha animado pela participação no FLAPPSIP no ano anterior, pelas frutíferas discussões nas representações internas do Departamento, pela preparação das duas aulas abertas que realizamos a cada semestre e pela reapresentação dos trabalhos no “Dia FLAPPSIP”, realizado pelo Departamento. Foi justamente durante o intenso debate deste dia que Maria Helena Fernandes se mostrou uma interlocutora muito interessante para nossos temas, tornando-se a coordenadora da mesa proposta.

A mesa teve início com a apresentação da dupla Maria Carolina Accioly de Carvalho Silva e Tatiana Inglez-Mazzarella, intitulada “A indiferença e o esvaziamento da palavra: a psicanálise como possibilidade de restaurar o trabalho simbólico de ligação e a capacidade de pensar”. O trabalho aborda modos de sofrimento atuais para pensar o quanto a recusa, como mecanismo de defesa, tem se feito presente na vida coletiva e na clínica, principalmente quando a palavra perde seu valor simbólico e se instala uma dificuldade de inscrever a diferença entre a ausência do objeto e a indiferença pelo outro, seu semelhante.

Em seguida, Mira Wajntal apresentou o trabalho “Jogo sem objetivo: os destinos da pulsão diante da tela”, no qual discute o funcionamento psíquico da criança diante das telas e descreve como o impacto desse uso pode interferir nas esferas do eu, da fantasia e da realidade externa. A autora propõe que esse uso pode produzir uma adesão adictiva e autocalmante às telas, na qual o comportamento repetitivo, desprovido de carga simbólica, tende a dominar as excitações, em vez de ligá-las por meio da elaboração psíquica, prejudicando, inclusive, o laço com o outro.

Por fim, Marcelo Soares da Cruz arrematou a mesa com a fala “Da adicção ao outro à adicção conectada: telas, redes sociais e angústia de perda de objeto”, articulando pontos de convergência com as apresentações anteriores a partir das relações de objeto e da compreensão de que a adicção às telas e às redes sociais pode constituir uma modalidade contemporânea de relação adictiva. A discussão desloca-se, assim, do objeto tecnológico em si para o uso psíquico que dele se faz. Quando há falhas na constituição e na permanência do objeto, o sujeito pode buscar compulsivamente uma presença exterior nas plataformas digitais que, ao propiciarem conexão incessante, notificações e a possibilidade de vigilância do outro, prometem a falsa garantia de uma presença sempre disponível.

É indispensável comentar também como o congresso nos proporcionou um importante espaço de troca com os pares, ampliando cada vez mais a inserção do curso na interlocução com o campo da pesquisa. E houve ainda grandes festas e comilanças, além da oportunidade de conhecer um pouco mais de uma cidade muito bonita!

 

Mira Wajntal é psicanalista, mestre em Psicologia (PUC-SP), membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, professora do curso de Psicopatologia Psicanalítica e Clínica Contemporânea e membro do Grupo de Transmissão e Estudos Psicanalíticos, ambos do Instituto Sedes Sapientiae (São Paulo, Brasil). Trabalhou no SUS por 30 anos. Autora do livro “Uma Clínica para a Construção do Corpo”. São Paulo: Via Lettera. 2004 e organizadora do livro “Clínica com crianças: enlaces e desenlaces”. São Paulo, Casa do Psicólogo, entre outras publicações. É supervisora clínica e atende em consultório adultos, crianças e famílias.

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