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Carta à “analista em linha

O Blog publica hoje o texto-carta para uma analista em linha, escrito por Renata Calife Fortes .   CARTA À “ANALISTA EM LINHA” (1) Renata Calife Fortes   Em março de 2020 todas as portas automáticas se fecharam. Esta imagem me remeteu a deliciosa série do Agente 86 exibida nos anos 70, você se lembra? Nela, o personagem andava e as portas iam fechando-se atrás dele num ritmo constante, até que ele se deparava com uma cabine telefônica. Era o recurso que restava. Você me comunicou que os atendimentos passariam a ser realizados em linha. Fiquei sabendo que os analistas estavam testando algumas modalidades: com ou sem tela. Pensei que de acordo com cada atendimento, o perfil do paciente, os sintomas, o momento da análise, escolheriam um recurso em detrimento ao outro. Eu, era uma paciente que já usava o divã, fato que, confesso no meu imaginário, dava um ar de maturidade ao meu processo analítico, fiquei aguardando meu veredicto. Fui alçada a categoria, ...

Angústias são braços debruçados em varandas vazias

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  No Blog do Departamento um texto/poema do colega Alcimar Alves de Souza Lima .   Angústias são braços debruçados em varandas vazias Angústia é tensão que ainda não ganhou extensão em palavras.   Nesse nó congelado, saídas não existem. Prisão sem janelas, sem grades. Grades permeiam a luz do sol, ventos e brisas. Angústia, quarto escuro. Quarto escuro potência em si, lá habita o instante sem nome. Sensação. Naquele cubículo somos. Sensações. Ora, ora. Tudo parecia tão denso, profundo, agora angústia é uma sensação. Intensidade dor, intensidade cegueira, intensidade pressão.   Nunca tinha pensado que angústia era uma sensação e esta palavra angústia, carrega em si uma força asfixiante. Instante, intensidade dor, vestindo-se de angústia.   Angústia é uma tensão que ainda não ganhou extensão em palavras. Um momento mágico pulsa, pulsam os períodos, tempos nos quais escorrem chuvas que molham os parágrafos dos livros. O segredo...

Voltar ou não voltar?

Caros colegas apresentamos hoje no Blog uma breve reflexão de nossa colega Gisele Senne de Moraes sobre o retorno aos consultórios Voltar ou não voltar? Como muitos, tenho me questionado sobre o momento de voltar a atender no consultório. Alguns (poucos) já voltaram para atendimentos presenciais, regularmente ou pontualmente, para uma sessão em especial, para um paciente em particular. Como tem sido esta experiência? Como voltaremos? Mascarados? Dá para escutar bem o paciente que fala usando máscara? Bom, nem pensar em ar condicionado, certo? Mesmo no calor de 40º de um dia de verão? Janela aberta? E barulho da rua, mosquitos no final da tarde? Uma janela só, mais de uma janela? Mudança na configuração da sala, para que poltrona e divã mantenham distanciamento social? Sala de espera fechada com certeza, nada de paciente chegando antes... E café e água? Talvez uma aguinha com copos descartáveis? Banheiro higienizado a cada novo paciente? Rola colocar uma placa solicitando que a p...

Puerpério e pandemia, um capítulo difícil de contar!

  Como mães e pais tem vivido o nascimento de um filho durante na pandemia? O texto de Renata Calife Fortes trata de questões relacionadas a essa experiência. Confiram! PUERPÉRIO E PANDEMIA, UM CAPÍTULO DIFÍCIL DE CONTAR! Renata Calife Fortes O casal que está à espera do bebê sonha, planeja como será o parto, que nome será dado ao menino ou menina, com quem será parecido, as lembrancinhas, a decoração do quarto, a maternidade. Enfim, estes aspectos, que por vezes tomam um caráter material, tem a função de criar uma rede de afetos que conta para o bebê a sua história familiar, mesmo antes de ele ter nascido. Este ano, a história precisou incluir o capítulo da Pandemia. A clínica psicanalítica tem escutado a dificuldade dos casais em encaixar este desdobramento real no cotidiano da nova família com um novo bebê. Quando nasce um filho, o casal, ao deparar-se com a nova função, faz uma ressignificação de suas identificações. Há de se incluir na sua auto imagem de mulher, fil...

Sobre a Transferência Online: uma nova Modalidade?

Em tempos pandêmicos, o texto da colega Marcela Assef especula sobre as mudanças que o atendimento online trouxe à clínica psicanalítica. Confiram: SOBRE A TRANSFERÊNCIA ONLINE: UMA NOVA MODALIDADE? Marcela Assef O atual cenário de pandemia da COVID-19 impôs a todos, abruptamente, uma grande mudança de vida. É isto que configura, dentre outras coisas, o traumático: um acontecimento que desorganiza a ordem e causa grandes mudanças sem que o sujeito esteja previamente preparado. Para nós, analistas, sem dúvida uma grande mudança foram os atendimentos online: o que era exceção passou a ser regra e, do dia para a noite, nos vimos nos organizando para garantir não apenas a análise de nossos pacientes, mas, também, o enquadre analítico. Ao longo deste período em que estamos há   meses confinados, artigos e "lives" que tem como tema central, justamente, os atendimentos no plano do online - as perdas inerentes ao remoto, o fato de estarmos compartilhando da mesma realidade d...

Reflexões durante a pandemia sobre o tema: “o ser humano é um ser social”

Hoje, o Blog apresenta o texto de nossa colega Fernanda Borges que traz, com saudades, a paisagem da praça pra dentro de nossas casas. Espero que vocês gostem, bom passeio.   REFLEXÕES DURANTE A PANDEMIA SOBRE O TEMA: “ O SER HUMANO É UM SER SOCIAL ”   Lembro de quando minha filha nasceu. Eu passava grande parte do dia sozinha com ela. As visitas durante a semana eram raras. As horas eram solitárias e o cansaço resultante das noites mal dormidas era grande. Entre as mamadas e as trocas de fraldas, haviam as deliciosas manhãs de sol na rede da varanda, as sonecas conjuntas no meio do dia, as descobertas, os momentos em que dançávamos juntas na sala de casa, as idas à feira logo ali na esquina -   lugar cheio de vida, de pessoas, de sons, de cheiros, de cores e sabores. Assim era o nosso universo nos seus primeiros meses de sua vida. Mas ele foi ficando pequeno.   Aquela pequena criatura se desenvolvia a cada semana, tornando-se cada vez mais capaz de novos...

Da escuta ao território: algumas reflexões sobre o projeto Escuta 60+

  Desde o início da quarentena surgiram serviços de plantão psicológico online para cuidar dos sofrimentos decorrentes do isolamento e do medo frente a pandemia. Confira a seguir o texto de Cristiana Kehdi Gerab sobre o escuta 60+. DA ESCUTA AO TERRITÓRIO: ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE O PROJETO ESCUTA 60+ Cristiana Kehdi Gerab   Cida, 66 anos, desesperou-se com pensamentos que passaram a “martelar” em sua cabeça a partir do momento em que, por conta da pandemia, viu-se confinada e isolada em seu apartamento. Mulher ativa, financeiramente independente, afirma ser dona do próprio nariz. Os pensamentos, no entanto, remontam a uma relação complicada com o filho mais velho. É apenas no rapaz que fala ininterruptamente, acentuando o quanto lutou por ele, por sua saúde, seu bem-estar, o quanto tentou “salvá-lo” de situações que poderiam tê-lo arruinado. Cida., inconformada, sem acesso ao rapaz, sente-se abandonada e não reconhecida por todo esforço que fez pelo garoto, referindo-se...